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Hanseníase

Homem careca com mancha nas costas.

HANSENÍASE

O QUE É?

A hanseníase, lepra ou Mal de Hansen (do nome Gerhard Hansen, que identificou o agente causador da doença) é uma doença infecciosa de evolução muito longa, causada pelo microorganismo Mycobacterium leprae (Bacilo de Hansen), que acomete principalmente a pele e os nervos das extremidades do corpo, provocando danos severos.

Durante muito tempo a doença foi considerada incurável e mutiladora, forçando o isolamento dos pacientes em leprosários, principalmente na Europa durante a Idade Média, onde eram obrigados a carregar sinos para anunciar a sua presença.

No Brasil existiram leis para que os portadores da hanseníase fossem obrigados a viver em colônias. A lei foi revogada em 1962, porém o retorno dos pacientes ao seu convívio familiar era extremamente dificultoso, em razão da pobreza e do isolamento social a que eles foram submetidos.

TRANSMISSÃO

A hanseníase não é uma doença hereditária. Sua transmissão se dá de indivíduo para indivíduo, por germes eliminados por gotículas da fala e que penetram no organismo pela mucosa do nariz.

Outra possibilidade é o contato direto com a pele através de feridas de doentes contaminados. É importante ressaltar que a infecção não acontece depois de um simples contato social, é necessário um contato mais próximo e prolongado para que a contaminação aconteça, como, por exemplo, a convivência de familiares em uma mesma residência.

CONTÁGIO

A maioria da população adulta é resistente à hanseníase, entretanto as crianças são mais suscetíveis. O período de incubação varia de 2 a 7 anos e entre os fatores predisponentes estão o baixo nível sócioeconômico, a desnutrição e a superpopulação doméstica. Devido a isso, a doença ainda tem grande incidência nos países subdesenvolvidos.

O Bacilo de Hansen pode atingir vários nervos, entretanto contamina com mais freqüência os dos braços e das pernas. Com o avanço da doença, os nervos ficam danificados e podem impedir o movimento dos membros, como fechar as mãos e andar.

SINTOMAS

? Aparecimento de caroços ou inchaços no rosto, orelhas, cotovelos e  mãos.
? Entupimento constante do nariz, com um pouco de sangue e feridas.
? Redução ou ausência da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor e ao  tato.
? Manchas em qualquer parte do corpo, que podem ser pálidas, esbranquiçadas ou avermelhadas. Partes do corpo dormentes ou  amortecidas, em especial as regiões cobertas.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

As formas de manifestação da hanseníase dependem da imunidade do indivíduo ao bacilo causador da doença. Esta resposta pode ser verificada através do teste de Mitsuda, que avalia a resistência da pessoa ao bacilo.

? Hanseníase indeterminada – forma mais benigna, evolui espontaneamente para a cura na maioria dos casos. Geralmente encontra-se somente uma lesão de cor mais clara que a pele normal, com diminuição da sensibilidade. Mais comum em crianças.

? Hanseníase tuberculóide – forma também benigna. São poucas lesões, de limites bem definidos, um pouco elevados e com ausência de sensibilidade. Ocorrem alterações nos nervos próximos à lesão, podendo causar dor, fraqueza e atrofia muscular.

? Hanseníase dimorfa – forma intermediária.  O numero de lesões é maior, formando manchas que podem atingir grandes áreas da pele. O acometimento dos nervos é mais extenso.

? Hanseníase lepromatosa – forma mais grave, com anestesia dos pés e das mãos, que favorecem os traumatismos e as feridas, podendo causar deformidades, atrofia muscular, inchaço das pernas e surgimento de nódulos na pele. Os órgãos internos também são acometidos pela doença.

PREVENÇÃO

A hanseníase é uma doença típica de regiões pobres, nas quais o baixo nível sócioeconômico da população leva a uma superpopulação doméstica, facilitando a propagação da bactéria. Acrescente-se a isso más condições de higiene e desnutrição, o que torna o organismo mais suscetível às doenças. Desta forma, melhorar a qualidade de vida da população é uma forma de prevenir a doença.

Outra maneira de prevenir é tratar rapidamente os pacientes, evitando a transmissão para outras pessoas da família. Existe uma vacina que ajuda a proteger contra a hanseníase: a BCG, que faz parte do calendário de vacinação infantil. Quando uma pessoa na casa possui a doença, todos os moradores devem procurar o posto de saúde para exame clínico e aplicação da vacina.

TRATAMENTO

O tratamento da hanseníase no Brasil é feito nos postos de saúde municipais e os medicamentos são fornecidos gratuitamente aos pacientes, que são acompanhados durante todo o tratamento.

A Organização Mundial da Saúde recomenda, desde 1981, uma poliquimioterapia (PQT) composta de três medicamentos: a dapsona, a rifampicina e a clofazimina. A duração do tratamento varia de acordo com a forma da doença: seis meses para a forma mais branda e doze meses para as formas mais graves.

Além do tratamento medicamentoso, há também a reabilitação física e psicossocial para os casos mais graves (estágios mais avançados da doença), quando há deformidades e, em alguns casos, perda de membros.

IMPORTANTE

De acordo com o Decreto Federal 6.168, de 24/07/07, os pacientes internados compulsoriamente e isolados em hospitais-colônias de todo o país, até o ano de 1986, terão direito à pensão vitalícia mensal.

Para receber o benefício, os pacientes precisam apresentar documentos que comprovem a internação compulsória e preencher um requerimento de pensão especial no INSS.

O BRASIL É UM DOS PAÍSES COM O MAIOR NÚMERO DE CASOS DE HANSENÍASE DO MUNDO. POR ISSO, INFORME-SE MAIS SOBRE A DOENÇA. A HANSENÍASE TEM CURA, COM O TRATAMENTO ADEQUADO.